18.12.05

MENSAGEM DE NATAL

TUDO O QUE POSSAS NECESSITAR OU DESEJAR JÁ É TEU.

Porque “o Reino dos Céus está dentro de ti”.

Mas onde? Dentro de mim, onde?
É a tua própria consciência.
Tu és e tens aquilo que estás consciente de ser ou ter.

O teu drama é que tu estás consciente de ser e ter aquilo que tu és e tens. E essa consciência é produto daquilo que tu e o mundo fizeram de ti. Chamas a isso a “realidade”. O que fazes, a cada momento, é estar consciente dessa realidade, quer gostes dela, quer não gostes, e é essa consciência que te mantém no estado em que te encontras. Chamas a isso a tua identidade, a tua personalidade, o teu eu.


NEVILLE GODDARD

Não te ocorre que, se estiveres consciente do que desejas ser ou ter, em vez de o estares do que és e tens, passarás a ser ou ter o que desejas – isto é, nascerás de novo, desta vez, pelo espírito.

Mas, quando digo “ se estiveres consciente do que desejas ser ou ter”, é preciso teres bem em conta que tu não és o que desejas, mas o que és. E, só és o que és, na consciência. És o que estás consciente de ser. Tens o que estás consciente de ter. Estar consciente de alguma coisa é muito diferente de desejar essa coisa. Desejar é estar consciente de que não a tens. Estar consciente de que a tens é sentir que a tens. É uma grande diferença.

Isto é: precisas de ser ou ter o que desejas, em espírito e em verdade ( na consciência) antes de o seres ou teres na “realidade”, na forma. Não se deita vinho novo em odres velhos. E, aqui, surge uma advertência muito importante: não pode ser o Fulano de tal, a Fulana de tal, isto é, não podes ser tu, tal como tens consciência de ser agora, que podes estar consciente da realização do que desejas. Repito: não se pode deitar vinho novo em odre velho. Tudo o que tens estado consciente de ser ou ter (ou de não ser e de não ter) entrará em conflito com a consciência da realização dos teus desejos. Não te permitirá aceitar a verdade dessa realização, no momento em que tentas tornar-te consciente dessa realização ( de que és isso ou tens isso). Então, que fazer? Nega-te a ti mesmo e segue-Me. É isso que tens que fazer: expulsar a tua presente identidade da tua consciência. Retirar a tua atenção de ti. Aquieta-te e sabe que EU SOU Deus. Fecha os olhos e sente-te a ti mesmo sem rosto, sem forma, sem corpo. Isto é: sente a consciência que és e não a forma, o teu corpo. A consciência é sem limites. Avança para esta quietude como se fosse a coisa mais fácil do mundo de conseguir.
Esta atitude assegurará o teu sucesso. E, evidentemente, o teu estado actual, problema ou preocupação estarão completamente fora da tua consciência. Quando todo o pensamento do problema e toda a consciência de ti mesmo estão fora da tua consciência, porque estás absorvido ou perdido no sentimento de seres apenas EU SOU, então, neste estado sem forma, começa a sentir-te a ti mesmo A SER o que desejas ser, ou A TER o que desejas ter.

É por isso que o Reino dos Céus está dentro de ti: na “tua” consciência. Porque aí, na “tua” consciência, está tudo o que possas desejar ou necessitar. Não está fora de ti. Procura, primeiro, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o resto te será dado por acréscimo. E o Reino de Deus é a “tua” própria consciência. Aquilo de que estás consciente, momento a momento. O mundo, a realidade, tu, são as formas, as aparências exteriores daquilo de que estás consciente. É por isso que quem não é por Mim é contra Mim. Porque tens a liberdade de escolher a consciência do Bem ou do mal. Da Verdade ou da mentira. E, se estás consciente da Verdade – de que só a Perfeição, a Saúde, a Abundância, a Vida, o Amor – tudo o que é Bom e Desejável – de que só isso existe, se só estás consciente de Mim, então, conheces a Verdade e a Verdade te liberta ( de todas as aparências negativas).

Tu não és diferente da tua consciência. És a tua consciência. Repito: não podes ser tu a ser consciente do que desejas. E, se estás consciente de que és de uma maneira, é isso que tu és, e não o que desejas ser. Por isso, ter é ser. Tens que ser o que desejas ter, antes de o teres. Como é que és o que ainda não és? Pelo AMOR. Abandona-te mentalmente ao teu desejo realizado e sente o amor por esse estado, vive no novo estado e não no antigo.

Antes que Abraão fosse, EU SOU – João 8:58

No princípio, era o Verbo, (a Palavra) e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

No princípio, era a consciência incondicionada de ser – a consciência de ser, apenas, e não a consciência de ser isto ou aquilo. No princípio, era apenas EU SOU.

E a consciência incondicionada de ser tornou-se condicionada por se tornar consciente de ser alguma coisa, e tornou-se aquilo que se concebeu a si mesmo ser; assim começou a criação. Por isso, o homem é feito à imagem e semelhança de Deus: porque é dotado de consciência.

Por esta lei – a de, primeiro, conceber e, depois, tornar-se aquilo que foi concebido, todas as coisas emanam do Não – coisa, da Não – forma; e sem esta sequência, nada do que é feito foi feito.

Antes que Abraão ou o mundo fosseEU SOU. Quando todo o tempo deixar de ser, EU SOU. EU SOU a consciência de ser, sem forma, concebendo-me a mim mesmo a ser homem. EU SOU o eterno Não – Coisa contendo dentro do meu ser sem forma ( totalmente espírito) a capacidade de ser todas as coisas. EU SOU aquele no qual todas as minhas concepções de mim mesmo vivem, movem-se e têm o seu ser e, aparte de mim, nada é. EU SOU Aquele que É, como disse a Moisés, no Sinai. Permaneço dentro de cada concepção de mim mesmo; desta interioridade, estou sempre a procurar transcender todas as concepções de mim mesmo. Pela própria lei do meu ser, transcendo as minhas concepções de mim mesmo, apenas quando acredito ser eu próprio aquilo que transcende.


A TODOS UM BOM NATAL!!!!!

16.12.05

TUDO O QUE EXISTE É FEITO DO ESPÍRITO E PELO ESPÍRITO

Tudo o que existe é feito do espírito e pelo espírito.
Não vemos o espírito; vemos a forma daquilo que é feito de espírito.
A forma é mutável e temporária. O espírito é eterno e imutável.
Assim, o espírito é a substância de tudo quanto existe.
Nós também somos assim: somos o espírito que aparece ( que se torna aparente, visível, ) graças à forma, ao corpo.
Porque somos espírito, somos a substância de todas as coisas. Aquilo que chamamos “eu” e a nossa “vida” é uma criação do “nosso” espírito.
Vamos chamar “consciência” ao espírito.
Consciência é uma palavra que não existia no tempo de Cristo.
Mas aquilo de que estamos conscientes é aquilo que criamos. Momento a momento. Aquilo de que estamos conscientes ganha forma. Aparece.
“O homem é aquilo que acredita que é, no seu coração”.
Aquilo que acredita, no seu coração.
Esta distinção expressa por Jesus Cristo é fundamental. Consciência não significa “pensamento”. Consciência é aquilo que realmente sinto e não aquilo que penso que sinto ou que penso que sou. É nisso que eu acredito: naquilo que realmente sinto.
Então, se aquilo de que estou consciente – de que estou ciente com, isto é, de que estou ciente com todo o meu ser, a que aderi com pensamento e sentimento, totalmente, - ganha forma, materializa-se, aparece, posso ser e ter tudo o que desejo. Porque tudo é feito dessa consciência e por essa consciência. Pelo espírito. Pelo Pai em mim.
Hoje, neste mesmo momento, sou e tenho aquilo que tenho acreditado ser e ter. E muito do que sou e tenho não é aquilo que desejaria ser e ter. E surge um problema: é que acredito que sou e tenho aquilo que sou e tenho.
Como sair desta contradição?
Por meio de uma crença básica: a de que, no momento em que me torno consciente de uma coisa, essa coisa torna-se real, nesse mesmo momento.
Esta é a crença básica. A de que o espírito, a consciência, é a própria realidade (substância) daquilo de que estou consciente. E que, nesse mesmo momento, essa substância começa a adquirir a forma que a tornará aparente.
E assim é, Amen, se outra crença contrária não vier destruir ou impedir essa formação. Por outras palavras, assim é, Amen, se eu compreender e acreditar que tudo o que não sou e não tenho é o que não fui e não tive em espírito e em verdade.

Isto é a lei. É assim, independentemente dos nossos méritos ou deméritos, de acreditarmos ou não acreditarmos nela.

Assim, o que é fundamental é perceber, acreditar, que, quando fechamos os olhos e nos vemos e nos sentimos a ter ou a ser o que desejamos, isso torna-se real nesse momento. Isso é real, porque é real em espírito e, porque é real em espírito, é em verdade. E, porque é real, porque já é real, nesse mesmo momento e não mais tarde, e não um dia, sentimos e agimos como sentiremos e agiremos logo que essa realidade assuma forma, aparência. As formas, as aparências que ainda nos rodeiam e parecem desmentir a realidade do que criámos em espírito, são apenas isso mesmo: aparências das nossas criações anteriores. Já não têm qualquer poder que as mantenha, porque a sua substância – a consciência que as mantinha – mudou. “Eis que torno tudo novo”. Se, acaso, julgamos por essas aparências, isto é, nos mantemos conscientes delas, então estaremos a recriá-las e a anular o que criámos. Olhámos para trás, como a mulher de Lot.

É interessante comparar o que acaba de ser escrito com o ensinamento de Jesus Cristo sobre a oração : Tu, quando orares, entra no teu secreto (no teu íntimo, na tua consciência ) fecha a tua porta ( fecha a tua consciência a todas as aparências indesejáveis) e ora ao Pai ( o poder da consciência) que vê no secreto ( que é a própria consciência daquilo de que estás consciente) e o Pai te recompensará publicamente ( fará aparecer em forma o que criaste pelo espírito, na consciência).

Orar é Agora. É a libertação da recriação das condições indesejáveis que fomos mantendo por continuarmos conscientes delas. É um novo começo. É nascer de novo, pelo espírito.
Obs: este texto é forma, palavras, mas, a palavra mata; só o espírito vivifica ( isto é, a consciência).


o espirito Posted by Picasa

27.11.05

TEXTO DE MINHA AMIGA ADRIANE


ALMAS GÉMEAS


Dizem que para o amor chegar não há dia, não há hora nem momento marcado para acontecer. Ele vem de repente e se instala no mais sensível dos nossos órgãos, o coração.
Começo a acreditar que sim. Mas percebo também que pelo fato deste momento não ser determinado pelas pessoas, quando chega, quase sempre os sintomas são arrebatadores. Vira tudo às avessas e a bagunça feliz se faz instalada.
Quando duas almas se encontram o que realça primeiro não é a aparência física, mas a semelhança d'almas. Elas se compreendem e sentem falta uma da outra. Se entristecem por não terem se encontrado antes, afinal tudo poderia ser tão diferente. No entanto, sabem que o caminho é este e que não haverá retorno para as suas pretensões.
É como se elas falassem além das palavras, entendessem a tristeza do outro, a alegria, o desejo, mesmo estando em lugares diferentes. Quando almas afins se entrelaçam passam a sentir saudade uma da outra num processo contínuo de reaproximação até a consumação.
Almas que se encontram podem sofrer bastante também, pois muitas vezes tais encontros acontecem em momentos onde não mais podem extravasar toda a plenitude do amor que carregam, toda a alegria de amar e querer compartilhar a vida com o outro, toda a emoção contida à espera do encontro fatal.
Desejam coisas que se tornam quase impossíveis, mas que são tão simples de viver.
Como ver o pôr-do-sol, caminhar por uma estrada com lindas árvores, ver a noite chegar, ir ao cinema e comer pipocas, rir e brincar, brigar às vezes, mas fazer as pazes com um jeitinho muito especial.
Amar e amar, muitas vezes sabendo que logo depois poderão estar juntas de novo sem que a despedida se faça presente.
Porém, muitas vezes elas se encontram em um tempo e em um espaço diferentes do que suas realidades possam permitir. Mas depois que se encontram ficam marcadas, tatuadas e ainda que nunca venham a caminhar para sempre juntas, elas jamais conseguirão se separar.
E o mais importante: terão de se encontrar em algum lugar.
Almas que se encontram jamais se sentirão sozinhas porquanto entenderão, por si só, a infinita necessidade que têm uma da outra para toda a eternidade.
Beijo no coração de todos
Adriane

2.10.05

CRÍTICA


MARY BAKER EDDY

Não vou aqui fazer de advogado de defesa da “ciência cristã” criada pela Sra. Mary Baker Eddy.
Em primeiro lugar porque não sou filiado em tal movimento nem em outro qualquer, bem como não pertenço a nenhuma igreja das chamadas convencionais.
Limito-me a ler alguns textos relacionados com assuntos que versam questões religiosas e filosóficas e por ai me fico com as minhas próprias conclusões.

No entanto por vezes não posso deixar de reconhecer que por detrás de certas afirmações e criticas fortes dirigidas a grupos de dimensão menor por parte dos que de alguma forma controlam a fé de milhões de homens e mulheres como por exemplo a Igreja Católica ( e outras) estão motivações bem menos doutrinais, e até noto um “certo receio” de que certas mensagens doutrinais vindas desses sectores mais pequenos passem para a consciência das pessoas em geral.

Vem isto a propósito de uma leitura que fiz no sítio sobre a ciência cristã. http://www.geocities.com/quackwatch/fe.html

O que vou de seguida escrever tentei enviar como opinião para o referido sítio sem qualquer êxito.

1. O mal existe? Se existe, quem o criou?
Não foi certamente Deus, o próprio Bem. O Bem Absoluto não pode criar o mal. É uma incongruência lógica. Diz a Bíblia que Deus criou tudo quanto existe e viu que era muito bom. Mas, se Deus não criou o mal, então o mal não existe. Não tem verdade que o sustente. É apenas uma crença falsa da mente humana. Uma aparência, de que Jesus disse- "Não julgueis pelas aparências". O mesmo Jesus que disse- "Ninguém me convence do mal".



2.Jesus, no Pai Nosso, não diz "Pai Meu!". Diz "Pai Nosso". Significa isto que a nossa relação com Deus é a mesma de Jesus. Somos filhos da própria Perfeição. Como é que aquele que emana da própria perfeição e FOI CRIADO Á IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS pode ser imperfeito, pecador, sujeito a doenças, etc? Se o fosse, Jesus não teria dito- "se acreditares
nas minhas palavras, fareis as obras que Eu fiz e obras maiores ainda".


3.A causa da criação mental do mal APARENTE está precisamente no facto do homem se julgar existente por si mesmo, isto é, de acreditar que há Deus e... o homem. Esta falsa crença da existência de uma identidade humana SEPARADA e DIFERENTE de Deus é a causa de todos os APARENTES MALES de que sofre a humanidade. Quando Jesus é tentado a lançar-se
do alto do monte...porque os anjos do céu viriam segurá-lo, QUEM ESTÁ A SER TENTADO É O EGO DE JESUS. Esta tentação consiste em fazer Jesus acreditar que ele é Deus e, por isso, nada tem a temer. Ora, esta tentação é a inversão total da verdade: NÃO É O HOMEM QUE É DEUS, MAS DEUS É AQUELE QUE SE CHAMA A SI MESMO HOMEM. Isto é: não existe o homem.
Só há Deus. "EU SOU AQUELE QUE É". E ninguém mais é. A consciência desta verdade é que permite Jesus declarar: "Eu e o Pai somos um". E "Quem me viu a mim, viu o Pai".
Se só há Deus - e, por isso, se pode afirmar a OMNIPRESENÇA de Deus - se compreendo isso e vivencio isso, então " neguei-me a mim mesmo", como Jesus diz para fazer, e deixo de ter vontade própria- única forma de poder cumprir o que diz o Pai Nosso: seja feita a TUA vontade (e não a minha).

A consciência desta Verdade é "conhecer a Verdade que liberta". S.Paulo disse: "Eu vivo, mas já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim". S.Paulo estava a afirmar a libertação do ego - isto é, a anulação da consciência de si próprio como ser individual dotado de uma identidade própria. Essa consciência de mim como ser existindo em si mesmo é o pecado original - causa de todo o mal aparente que se segue à crença de que eu existo. Eu não sou; DEUS É.

Estes são os princípios da Ciência Cristã. Fazem mil vezes mais sentido, quanto a mim, do que os ensinamentos da Igreja Católica.

25.9.05

ARTE POÉTICA


Jorge Luis Borges


Mirar el río hecho de tiempo y agua
y recordar que el tiempo es otro río,
saber que nos perdemos como el río
y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
que sueña no soñar y que la muerte
que teme nuestra carne es esa muerte
de cada noche, que se llama sueño.
´

Ver en el día o en el año un símbolo

de los días del hombre y de sus años,
convertir el ultraje de los años
en una música, un rumor y un símbolo,


ver en la muerte el sueño, en el ocaso

un triste oro, tal es la poesía
que es inmortal y pobre. La poesía
vuelve como la aurora y el ocaso.


A veces en las tardes una cara

nos mira desde el fondo de un espejo;
el arte debe ser como ese espejo
que nos revela nuestra propia cara.


Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
lloró de amor al divisar su Itaca
verde y humilde. El arte es esa Itaca
de verde eternidad, no de prodigios.


También es como el río interminable
que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges, 1960

20.9.05

CRIATIVIDADE


IDEIAS BRILHANTES

Não é incomum comparar-se a criatividade com uma planta que brota da terra. Mais frequente ainda é a imagem da lamparina, quase um ícone para ilustrar uma ideia. Ideias e inovações brilham, são fáceis de serem percebidas. Mas como chegar a elas?
Há um lado que as pessoas e as organizações deveriam conhecer melhor que é, por enquanto, o lado misterioso do processo criativo.

O mundo subterrâneo
Uma semente que brota vem de um Mundo Subterrâneo. Na mitologia grega este é o Mundo de Hades, deus do desconhecido e de tudo o que se processa dentro de nós de maneira nebulosa ou incerta.

Podemos dizer que o reino de Hades simboliza o inconsciente, tanto o individual como o colectivo. O Subterrâneo de nossas mentes é a moradia do pensamento, da memória, de nossos anseios e receios. Imagino que é neste mundo que a incubação, a intuição e as sinopses criativas acontecem antes de se tornarem visíveis.

O insight – a compreensão profunda de uma situação - ou o “a-há” de uma ideia mostram-nos quase fisicamente esse pulo de dentro para fora de nossas mentes.

Extracto de um artigo de Gisela Kasoy
http://www.giselakassoy.com.br

O CIÚME


BOCAGE

Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume (1),
O carrancudo, o rábido (2) Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.

Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.

Pelas terríveis Fúrias (3) instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides (4) toucado.

Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea (5) trança.


Bocage

(1) Plutão, deus dos infernos.
(2) Raivoso, furioso
(3) Demónios do mundo infernal.
(4) Serpentes venenosas.
(5) De víbora

8.8.05

VÊR



Aprender a pensar é descobrir o olharMárcia TiburiArtigo originalmente publicado pelo Jornal do Margs, edição 103 (setembro/outubro).

A diferença entre ver e olhar é tanto uma distinção semântica que se torna importante em nossos sofisticados jogos de linguagem tomados da tarefa de compreender a condição humana – e, nela, especialmente as artes –, quanto um lugar comum de nossa experiência. Basta pensar um pouco e a diferença das palavras, uma diferença de significantes, pode revelar uma diferença em nossos gestos, ações e comportamentos. Nossa cultura visual é vasta e rica, entretanto, estamos submetidos a um mundo de imagens que muitas vezes não entendemos e, por isso, podemos dizer que vemos e não vemos, olhamos e não olhamos. O tema ver-olhar – antigo como a filosofia e a arte – torna- se cada vez mais fundamental no mundo das artes e estas o território por excelência de seu exercício. Mas se as artes nos ensinam a ver – olhar, é porque nos possibilitam camuflagens e ocultamentos. Só podemos ver quando aprendemos que algo não está à mostra e podemos sabê-lo. Portanto, para ver olhar, é preciso pensar.Ver está implicado ao sentido físico da visão. Costumamos, todavia, usar a expressão olhar para afirmar uma outra complexidade do ver. Quando chamo alguém para olhar algo espero dele uma atenção estética, demorada e contemplativa, enquanto ao esperar que alguém veja algo, a expectativa se dirige à visualização, ainda que curiosa, sem que se espere dele o aspecto contemplativo. Ver é reto, olhar é sinuoso. Ver é sintético, olhar é analítico. Ver é imediato, olhar é mediado. A imediaticidade do ver torna-o um evento objetivo. Vê-se um fantasma, mas não se olha um fantasma. Vemos televisão, enquanto olhamos uma paisagem, uma pintura.A lentidão é do olhar, a rapidez é própria ao ver. O olhar é feito de mediações próprias à temporalidade. Ele sempre se dá no tempo, mesmo que nos remeta a um além do tempo. Ver, todavia, não nos dá a medida de nenhuma temporalidade, tal o modo instantâneo com que o realizamos. Ver não nos faz pensar, ver nos choca ou nem sequer nos atinge. As mediações do olhar, por sua vez, colocam-no no registro do corpo: no olhar – ao olhar - vejo algo, mas já vitimado por tudo o que atrapalha minha atenção retirando-a da espécie sintética do ver e registrando- a num gesto analítico que me faz passear por entre estilhaços e fragmentos a compor – em algum momento – um todo. O olhar mostra que não é fácil ver e que é preciso ver, ainda que pareça impossível, pois no olhar o objeto visto aparece em seus estilhaços de ser e só com muito custo é que se recupera para ele a síntese que nos possibilita reconstruir o objeto. É como se depois de ver fosse necessário olhar, para então, novamente ver. Há, assim, uma dinâmica, um movimento - podemos dizer - um ritmo em um processo de olhar-ver. Ver e olhar se complementam, são dois movimentos do mesmo gesto que envolve sensibilidade e atenção.O olhar diz-nos que não temos o objeto e, todavia, nos dispõe no esforço de reconstituí-lo. O olhar nos faz perder o objeto que visto parecia capturado. Para que reconstituí-lo? Para realmente captura-lo. Mas essa captura que se dá no olhar é dialética: perder e reencontrar são os momentos tensos no jogo da visão. Há, entretanto, ainda outro motivo para buscar reconstruir o objeto do olhar: para não perder além do objeto, eu mesmo, que nasço, como sujeito, do objeto que contemplo – construo enquanto contemplo. Olhar é também uma questão de sobrevivência. Ver, por sua vez, nos liberta de saber e pode nos libertar de ser. Se o olhar precisa do pensamento e ver abdica dele, podemos dizer que o sujeito que olha existe, enquanto que o sujeito que vê, não necessariamente existe. Penso, logo existo: olho, logo existo. Eis uma formulação para nosso problema. Mas se não existo pelo ver, não estou implicado por ele nem à vida, nem à morte. Ver nos distancia da morte, olhar nos relaciona a ela. O saber que advém do olhar é sempre uma informação sobre a morte. A morte é a imagem. A imagem é, antes, a morte. Ver não me diz nada sobre a morte, é apenas um primeiro momento. Ver é um nascimento, é primeiro. O olhar é a ruminação do ver: sua experiência alongada no tempo e no espaço e que, por isso, nos instaura em outra consistência de ser. Por isso, nossa cultura hipervisual dirige-se ao avanço das tecnologias do ver, mas não do olhar. É natural que venhamos a desenvolver uma relação de mercadoria com os objetos visualizáveis e visíveis. O olhar implica, de sua parte, o invisível do objeto: a coisa. Ele nos lança na experiência metafísica. Desarvoranos a perspectiva, perturba-nos. Por isso o evitamos. Todavia, ainda que a mediação implicada no olhar faça dele um acontecimento esparso, pois o olhar exige que se passeie na imagem e esse passear na imagem traça a correspondência ao que não é visto, é o olhar que nos devolve ao objeto – mas não nos devolve o objeto - não sem antes dar-nos sua presença angustiada. O olhar está, em se tratando do uso filosófico do conceito, ligado à contemplação, termo que usamos para traduzir a expressão Theorein, o ato do pensamento de teor contemplativo, ou seja, o pensar que se dá no gesto primeiro da atenção às coisas até a visão das idéias tal como se vê na filosofia platônica. Paul Valéry disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver. Dirá Lacan: ver é perder. Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo. O que se mostra só se mostra por que não o vemos. Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver. Uma obra de arte não nos deixa ver. Ela nos faz pensar. Então, olhamos para ela e vemos.

Márcia Tiburi Filósofa