25.9.05

ARTE POÉTICA


Jorge Luis Borges


Mirar el río hecho de tiempo y agua
y recordar que el tiempo es otro río,
saber que nos perdemos como el río
y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
que sueña no soñar y que la muerte
que teme nuestra carne es esa muerte
de cada noche, que se llama sueño.
´

Ver en el día o en el año un símbolo

de los días del hombre y de sus años,
convertir el ultraje de los años
en una música, un rumor y un símbolo,


ver en la muerte el sueño, en el ocaso

un triste oro, tal es la poesía
que es inmortal y pobre. La poesía
vuelve como la aurora y el ocaso.


A veces en las tardes una cara

nos mira desde el fondo de un espejo;
el arte debe ser como ese espejo
que nos revela nuestra propia cara.


Cuentan que Ulises, harto de prodigios,
lloró de amor al divisar su Itaca
verde y humilde. El arte es esa Itaca
de verde eternidad, no de prodigios.


También es como el río interminable
que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
y es otro, como el río interminable.

Jorge Luis Borges, 1960

20.9.05

CRIATIVIDADE


IDEIAS BRILHANTES

Não é incomum comparar-se a criatividade com uma planta que brota da terra. Mais frequente ainda é a imagem da lamparina, quase um ícone para ilustrar uma ideia. Ideias e inovações brilham, são fáceis de serem percebidas. Mas como chegar a elas?
Há um lado que as pessoas e as organizações deveriam conhecer melhor que é, por enquanto, o lado misterioso do processo criativo.

O mundo subterrâneo
Uma semente que brota vem de um Mundo Subterrâneo. Na mitologia grega este é o Mundo de Hades, deus do desconhecido e de tudo o que se processa dentro de nós de maneira nebulosa ou incerta.

Podemos dizer que o reino de Hades simboliza o inconsciente, tanto o individual como o colectivo. O Subterrâneo de nossas mentes é a moradia do pensamento, da memória, de nossos anseios e receios. Imagino que é neste mundo que a incubação, a intuição e as sinopses criativas acontecem antes de se tornarem visíveis.

O insight – a compreensão profunda de uma situação - ou o “a-há” de uma ideia mostram-nos quase fisicamente esse pulo de dentro para fora de nossas mentes.

Extracto de um artigo de Gisela Kasoy
http://www.giselakassoy.com.br

O CIÚME


BOCAGE

Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
Jaz aos pés do tremendo, estígio nume (1),
O carrancudo, o rábido (2) Ciúme,
Ensanguentadas as corruptas presas.

Traçando o plano de cruéis empresas,
Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
Vibra das fauces o letal cardume
De hórridos males, de hórridas tristezas.

Pelas terríveis Fúrias (3) instigado,
Lá sai do Inferno, e para mim se avança
O negro monstro, de áspides (4) toucado.

Olhos em brasa de revés me lança;
Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... Ei-lo a meu lado
Ferrando as garras na vipérea (5) trança.


Bocage

(1) Plutão, deus dos infernos.
(2) Raivoso, furioso
(3) Demónios do mundo infernal.
(4) Serpentes venenosas.
(5) De víbora