2.10.05

CRÍTICA


MARY BAKER EDDY

Não vou aqui fazer de advogado de defesa da “ciência cristã” criada pela Sra. Mary Baker Eddy.
Em primeiro lugar porque não sou filiado em tal movimento nem em outro qualquer, bem como não pertenço a nenhuma igreja das chamadas convencionais.
Limito-me a ler alguns textos relacionados com assuntos que versam questões religiosas e filosóficas e por ai me fico com as minhas próprias conclusões.

No entanto por vezes não posso deixar de reconhecer que por detrás de certas afirmações e criticas fortes dirigidas a grupos de dimensão menor por parte dos que de alguma forma controlam a fé de milhões de homens e mulheres como por exemplo a Igreja Católica ( e outras) estão motivações bem menos doutrinais, e até noto um “certo receio” de que certas mensagens doutrinais vindas desses sectores mais pequenos passem para a consciência das pessoas em geral.

Vem isto a propósito de uma leitura que fiz no sítio sobre a ciência cristã. http://www.geocities.com/quackwatch/fe.html

O que vou de seguida escrever tentei enviar como opinião para o referido sítio sem qualquer êxito.

1. O mal existe? Se existe, quem o criou?
Não foi certamente Deus, o próprio Bem. O Bem Absoluto não pode criar o mal. É uma incongruência lógica. Diz a Bíblia que Deus criou tudo quanto existe e viu que era muito bom. Mas, se Deus não criou o mal, então o mal não existe. Não tem verdade que o sustente. É apenas uma crença falsa da mente humana. Uma aparência, de que Jesus disse- "Não julgueis pelas aparências". O mesmo Jesus que disse- "Ninguém me convence do mal".



2.Jesus, no Pai Nosso, não diz "Pai Meu!". Diz "Pai Nosso". Significa isto que a nossa relação com Deus é a mesma de Jesus. Somos filhos da própria Perfeição. Como é que aquele que emana da própria perfeição e FOI CRIADO Á IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS pode ser imperfeito, pecador, sujeito a doenças, etc? Se o fosse, Jesus não teria dito- "se acreditares
nas minhas palavras, fareis as obras que Eu fiz e obras maiores ainda".


3.A causa da criação mental do mal APARENTE está precisamente no facto do homem se julgar existente por si mesmo, isto é, de acreditar que há Deus e... o homem. Esta falsa crença da existência de uma identidade humana SEPARADA e DIFERENTE de Deus é a causa de todos os APARENTES MALES de que sofre a humanidade. Quando Jesus é tentado a lançar-se
do alto do monte...porque os anjos do céu viriam segurá-lo, QUEM ESTÁ A SER TENTADO É O EGO DE JESUS. Esta tentação consiste em fazer Jesus acreditar que ele é Deus e, por isso, nada tem a temer. Ora, esta tentação é a inversão total da verdade: NÃO É O HOMEM QUE É DEUS, MAS DEUS É AQUELE QUE SE CHAMA A SI MESMO HOMEM. Isto é: não existe o homem.
Só há Deus. "EU SOU AQUELE QUE É". E ninguém mais é. A consciência desta verdade é que permite Jesus declarar: "Eu e o Pai somos um". E "Quem me viu a mim, viu o Pai".
Se só há Deus - e, por isso, se pode afirmar a OMNIPRESENÇA de Deus - se compreendo isso e vivencio isso, então " neguei-me a mim mesmo", como Jesus diz para fazer, e deixo de ter vontade própria- única forma de poder cumprir o que diz o Pai Nosso: seja feita a TUA vontade (e não a minha).

A consciência desta Verdade é "conhecer a Verdade que liberta". S.Paulo disse: "Eu vivo, mas já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim". S.Paulo estava a afirmar a libertação do ego - isto é, a anulação da consciência de si próprio como ser individual dotado de uma identidade própria. Essa consciência de mim como ser existindo em si mesmo é o pecado original - causa de todo o mal aparente que se segue à crença de que eu existo. Eu não sou; DEUS É.

Estes são os princípios da Ciência Cristã. Fazem mil vezes mais sentido, quanto a mim, do que os ensinamentos da Igreja Católica.